* edição comemorativa de dez anos da Editora Malê Sinopse: “Gosto de ouvir...”, assim se puxa o fio que alinhava as múltiplas vozes femininas de Insubmissas Lágrimas de Mulheres, de Conceição Evaristo. Na obra, treze mulheres dão voz ao silêncio e a cham, em uma igual, espaço de escuta recíproca e sensível. Aqui, uma mesma narradora atravessa todos os contos, de forma que o corpo que ouve também auxilia no movimentar dos fatos. Assim, pelos laços da “dororidade” (Piedade, 2017), insubmissas mulh eres re-inventam, re-inscrevem, re-escrevem as suas histórias. Nesse encontro de forças, ou melhor, nessa ciranda de mulheres, Conceição Evaristo nos apresenta uma pluralidade de mulheres negras, característica marcante do seu projeto estético. Livre s, nesta coletânea, “vozes-mulheres” – nomeadas – alinham memórias e tempos, e libertam gritos antes agarrados nas gargantas: insubmissas, são mulheres negras a viver!Assim, corpos-peles de mulheres negras independentes cintilam em nosso horizonte um novo amanhã, reapropriando-se do direito intrínseco de re-existir. E é na dança da vida, no entrecruzamento, no processo, no amarrio, na travessia, que Insubmissas Lágrimas de Mulheres acontece. Sem sentimentalismos, uma univocidade feminina negra d eságua em nós torrentes de autoamor, protagonismo, empoderamento, certezas e coragem, para além das feridas abertas das dores. As personagens de Conceição Evaristo são tecidas com a complexidade e sensibilidade de corpos humanizados. São mães, filhas , irmãs, amantes, amigas, mulheres, que, embora expostas, rasgadas, reviradas, sangrando, em sua vulnerabilidade, insubmissas permanecem. Mirian Santos é Doutora em Letras-Estudos Literários pela UFJF, professora na UNIFESSPA.