“Vamos, atenda o telefone,/ é urgente, quero cantar pra você” — na poesia de Moisés Alves, em Ilusões bárbaras, há sempre uma conversa acontecendo ou tentando acontecer. Há um “você” e um “eu”. Por vezes, temos a impressão de que quem fala “eu” é o p róprio poema, que lança suas palavras em direção ao poeta. Noutras, é ele quem diz “eu” e nos coloca, leitores, no lugar desse “você”, que recebe as setas afiadas nas horas mais comuns: “A vida é uma guerra./ Espalhada por todo canto,/ inclusive nas casas”. O que essas conversas nos mostram são relações intensas, truncadas pela incompreensão, pelos silêncios (nunca ouvimos, do outro lado, a voz do “você”), pela violência. Há o forte desejo de escapar dessa espiral, mas os caminhos não são simple s: “sei bem do que viver é capaz”. Há fúria movendo-se por dentro, mas, de repente, tudo se enrosca ao temor de que já seja tarde demais para que as coisas mudem de rumo: “uma mágoa não se arrasta/ tão facilmente de um canto a outro/ sem ferir o chão da casa”. O pai, a mãe, os deuses, os amantes são convidados a entrar nos poemas, mas é sempre ríspida a recepção: “O amor é um cão/ em cólera”. Talvez venham daí, desse atrito de que elas nunca fogem, a densidade e a força dessas palavras colhidas na vida, que têm “cor, ritmo, hálito, sabor”, como afirma Jorge Alencar na orelha do livro.
| Código: |
9786561391344 |
| EAN: |
9786561391344 |
| Peso (kg): |
0,000 |
| Altura (cm): |
20,00 |
| Largura (cm): |
13,50 |
| Espessura (cm): |
1,00 |
| Especificação |
| Autor |
Alves, Moisés |
| Editora |
CIRCULO DE POEMAS |
| Ano Edição |
2026 |
| Número Edição |
1 |