O título deste romance poderia ser Raimunda, mas é Dolores quem fez amizade com a narradora – um pouco distante, um pouco próxima – das duas protagonistas. Título que é sinal dos tempos, tempos modernos: a filha encontrou uma voz para si, encontrou e mpatia e, talvez, esperança.
Ainda assim, a história é das duas, que vivem suas desventuras, algumas de maneira quase idêntica. Isso também é sinal dos tempos, mas de tempos acumulados nos ombros, pesando a cada passo: o racismo e a misoginia, se são estruturais, estão presentes em cada geração de formas bem similares. Machucam e punem com a mesma persistência.
Dolores é o título por ser um símbolo de um país miscigenado, já que nasceu com os olhos azuis do pai europeu, ausente, e isso in tensifica o melodrama de sua vida e a reação de preconceito. Nós, colonizados, somos levados a odiar e desejar o colonizador, mesmo que seja apenas um traço, uma cor tão comum quanto o céu sobre nós.
Diz a lenda que a Rainha Vitória teria pedido a Charles Dickens que escrevesse livros menos tristes, pois ela gostava muito de ler suas obras e não desejava chorar. Bem, com Dolores não temos esse privilégio.
| Código: |
9786584007185 |
| EAN: |
9786584007185 |
| Peso (kg): |
0,000 |
| Altura (cm): |
20,70 |
| Largura (cm): |
13,50 |
| Espessura (cm): |
1,00 |
| Especificação |
| Autor |
Júnea, Assir |
| Editora |
QUIXOTE |
| Ano Edição |
2026 |
| Número Edição |
1 |