“Angola, a mais portuguesa de todas as colônias.” Nos três primeiros quartos do século passado, essa sentença foi utilizada à exaustão. Publicistas e viajantes, missionários e portugueses de toda sorte repetiram-na, por aprendizado ou crença. Observa dores estrangeiros, entre cumplicidade e ironia, subsumiram-na do discurso daqueles. Por um lado, era uma fórmula de síntese, em que se condensavam duas narrativas: a de uma longa história de contato, que perdurou por um séculos, e a de uma breve hi stória de presença, que não durou mais do que um punhado de décadas. Por outro lado, exprimia do medo particular ideias autodesdobramento e de incorporação, comuns à encenação do drama colonial em outros quadrantes africanos. Qual matrioska de palav ras, encaixava corpos distintos no bojo dum corpo vazio. Passadas quase quatro décadas do termo do fato a que remetia, seus efeitos gerias ainda estão longe da total diluição. Em Portugal e em Angola, seus sinais, visíveis, estão um pouco por toda pa rte. E é por isso, antes de tudo, que o objeto deste trabalho consiste em dizeres desse tipo. Empreender um mergulho nas representações que os coloniais legaram com relação à Angola daquele período é, portanto, seu objetivo, dando ênfase às suas visõ es do espaço e das populações locais, mas, sobretudo, à sua autorrepresentação e à emergência de uma identidade que acabaria duplamente deslocada com o fim da trágica utopia modernizadora do colonialismo.
| Código: |
9788579835582 |
| EAN: |
9788579835582 |
| Peso (kg): |
1,000 |
| Altura (cm): |
23,00 |
| Largura (cm): |
15,60 |
| Espessura (cm): |
2,60 |
| Especificação |
| Autor |
Marques, Diego Ferreira |
| Editora |
CULTURA ACADÊMICA EDITORA |
| Ano Edição |
2014 |
| Número Edição |
1 |