Ao estampar na capa de seu novo livro de poemas a palavra “celacanto”, peixe que é considerado um “fóssil vivo” por representar espécies extintas há dezenas de milhões de anos, Thiago Ponce de Moraes convoca os leitores para uma reflexão sobre o temp o do fazer poético, ou melhor, sobre a persistência da vida — e da poesia — num tempo hostil. Note-se, ainda, que o título-peixe permite ouvir o nome de Paul Celan, poeta fundamental para o autor, e também “canto”, um dos vários nomes da poesia. Divi dido em sete partes, Celacanto cobre um arco vasto e coeso de questões. Vasto, sim, porque os poemas movem-se entre o amor, a chegada dos filhos, a partida dos avôs e de um amigo, a escrita, a escuta, o silêncio. Mas todas essas indagações estão lanç adas no “abismo do presente”, em que “o porvir se afunda”. Não é por acaso que todas as seções, desde seus títulos, são marcadas pela temporalidade (“A pré-história dos sentidos”, “Depois da colisão”, “O tempo da peste”, “A eternidade mantém-se nos l imites”, “Demorar-se no sonho dos bichos”, “Uma data em cada mão” e “Antes”). O poeta é “hóspede do instante”, mas quer saber o que persiste em tudo que se transforma, e busca, em cada verso, “fazer um furo/ no futuro/ lançar uma bomba/ ao futuro”. P or isso, a convocação para que o celacanto, um peixe “contra a lógica do tempo”, desvende “aquilo que insiste em nós” (somos nosso próprio fóssil?). Por isso, descascar as palavras para ver o que elas escondem, o que arrastam do passado. Por isso, ma nter-se vivo, manter a poesia viva em meio à “fúria obscura/ da passagem do tempo”.
| Código: |
9786561391122 |
| EAN: |
9786561391122 |
| Peso (kg): |
0,000 |
| Altura (cm): |
20,00 |
| Largura (cm): |
13,50 |
| Espessura (cm): |
0,70 |
| Especificação |
| Autor |
Ponce De Moraes, Thiago |
| Editora |
CIRCULO DE POEMAS |
| Ano Edição |
2026 |
| Número Edição |
1 |